247,2% com uma empresa
de água e esgoto.

E o método que me fez entrar é o mesmo que me mandou sair.

Assinar o RS Dividendos por R$ 264 no ano

Em junho de 2023 comecei a recomendar as ações da Copasa, a companhia de saneamento de Minas Gerais, a R$ 20,46.

A tese tinha três pernas: um yield de uns 7%, a proteção de um negócio regulado, e uma privatização que parecia provável e não estava no calendário de ninguém. Foi a terceira que demorou.

Demorou até chegar à Assembleia Legislativa de Minas, onde o projeto que autorizava a desestatização só entrou em setembro de 2025 e passou depois de mais de nove horas de obstrução. Demorou no Tribunal de Contas do estado, que em abril de 2026 liberou as etapas preparatórias e proibiu o ato de venda antes de se pronunciar sobre o mérito. E demorou de novo em maio, quando o governo declarou que não havia prazo definido para a oferta.

Nenhuma dessas vezes mudou a empresa. Todas mudaram a data.

Enquanto isso o papel subia, e no segundo semestre de 2025 passou do preço-teto que eu tinha calculado para a empresa. Não vendi.

No começo de 2025, quando a Copasa ainda negociava abaixo desse teto, um assinante tinha me perguntado por que a recomendação era manter e não comprar. Respondi que não altero recomendação mecanicamente só porque o preço mudou. Vale nos dois sentidos, e foi por isso que passar do teto também não virou venda.

Passar do teto tira a compra de cima da mesa. A venda vem quando o preço fica muito acima do que a conta suporta, ou quando a empresa piora.

Nesse período começaram a chegar as mensagens: assinantes perguntando se não era hora de realizar o lucro, ou de eu simplesmente recomendar a venda, antes que o leilão trouxesse a ação de volta para a terra.

Não mudei a recomendação.

Em 22 de maio de 2026 eu recomendei vender, a R$ 52,29. A privatização ainda não tinha acontecido: ela saiu em 16 de junho, com a Equatorial entrando como acionista de referência com cerca de 30% do capital.

Vendi antes do evento que eu tinha passado três anos esperando, e não foi por desconfiar dele. Foi porque ele já tinha acontecido no preço.

Uma opcionalidade que se realiza deixa de ser opcionalidade: a perna que me fez entrar tinha acabado, o yield esperado tinha caído para 3,9%, e o que restava era uma empresa boa negociando bem acima do que eu calculava que ela valia.

Do custo da posição, já descontados os dividendos pagos no caminho, a saída fechou em 247,2%. O preço de entrada foi R$ 20,46; os proventos derrubaram esse custo para R$ 15,06; a saída saiu a R$ 52,29.

No mesmo período, comprando no mesmo dia, o bitcoin subiu 206,7% em reais. Quarenta pontos percentuais de diferença, para uma empresa que trata água e esgoto e nunca prometeu nada a ninguém.

O que essa história não é

Não é um caso de acerto. Acerto todo mundo tem, inclusive por sorte, e quem só mostra o acerto está escondendo a média.

Em julho o papel bateu R$ 67, e em agosto ainda estava por volta de R$ 60.

Quem ficou depois que eu saí ganhou mais do que eu.

Isso vai acontecer de novo, e é o preço de ter um critério: ele te tira da festa antes do fim.

É um caso de critério. A recomendação de 2023 valeu alguma coisa porque existia um número atrás dela, e porque esse número não se moveu quando o calendário se moveu, nem quando o preço subiu, nem quando assinantes com boa intenção sugeriram que talvez fosse hora.

Sem esse número, cada notícia vira uma decisão nova. Com ele, a pergunta é sempre a mesma quando a notícia chega: isto muda a empresa, ou muda só a data?

Três vezes seguidas, mudou só a data. Na quarta, mudou a tese: a privatização deixou de ser possibilidade e virou fato, e com ela foi embora a perna que me fez entrar.

Não foi uma posição

A Copasa foi um caso, e um caso não prova nada além de si mesmo.

São doze recomendações em aberto no RS Dividendos. Até o fechamento de 31 de julho de 2026:

AçãoSetorNa carteira desdeResultado
AEnergiaout/202525,7%
BFinanceirojan/202244,3%
CCommoditiesset/202245,0%
DEnergiajan/202253,6%
EEnergiajan/202268,7%
FEnergiajul/202371,8%
GTelecomjan/202284,5%
HFinanceirojan/2022104,1%
IFinanceirojan/2022112,1%
JTelecomago/2022121,6%
KHoldingjan/2022158,8%
LFinanceirojan/2022230,1%

A ação A é do setor de energia elétrica e é a mais recente da carteira: entrou em outubro de 2025, há nove meses. A B é um banco, e está desde janeiro de 2022, cinquenta e quatro meses até a data do corte.

Oito das doze estão na carteira desde janeiro de 2022. Defender investimento de longo prazo trocando de carteira todo mês é chamar o assinante de otário.

O melhor resultado da carteira é de uma seguradora, que eu recomendo desde janeiro de 2022.

E as demais são da mesma estirpe: negócios testados pelo tempo, que fazem a mesma coisa há décadas e distribuem o que sobra. Uma chatice, em resumo. Se você está procurando emoção, não será aqui que vai encontrar. Meu mandato aqui é entregar análise de qualidade e profundidade que respeitam a sua inteligência.

Retornos acumulados até 31/07/2026, calculados sobre o custo de cada posição já descontados os proventos recebidos no período — a mesma conta dos 247,2% acima. São posições em carteira, marcadas a mercado naquela data, e o valor muda a cada pregão.

O que você recebe

Um relatório quinzenal sobre uma carteira de doze empresas brasileiras que pagam dividendos.

Em cada edição:

O preço-teto é o instrumento mais útil da assinatura e o mais mal-entendido. Ele é o ponto em que a conta que eu fiz deixa de fechar.

Quem o lê como previsão se decepciona duas vezes: ele se mexe quando a empresa se mexe, e não sai do lugar quando o mercado se anima.

Assinar o RS Dividendos, com os preços-teto

Sobre o tamanho dos relatórios, que é a reclamação mais provável

Eles são longos. Não por descuido de edição.

Na edição de primeiro de agosto eu gastei setecentas palavras num balanço que era bom. A receita melhorou, a margem melhorou, e o caixa não acompanhou nenhum dos dois.

A conclusão foi que eu não mexeria em nada. Nem no preço-teto, nem na recomendação.

Quem abriu procurando a linha da tabela encontrou o mesmo de quinze dias antes e fechou o arquivo. Quem leu descobriu por que continuava igual, que era a única informação útil naquele dia.

Este é outro balanço, de outra edição, quatro meses antes. A conclusão foi diferente, e ela começa assim:

Duas páginas do RS Dividendos edição 129 fotografadas em perspectiva. Três trechos estão cobertos por tarjas pretas.

CMIG: Bom resultado, mas não aquele

Altero minha recomendação para Cemig (CMIG4) . O 4T25 foi generoso com quem não leu além da primeira linha. Para quem leu, a história é outra.

O headline é uma armadilha. Lucro reportado de R$ 1,9 bilhão (+88% a/a), EBITDA de R$ 3,0 bilhões (+54% a/a). Números que fizeram as ações subirem no dia seguinte à divulgação. O problema é que boa parte desse resultado vem de um acordo homologado pelo TRT referente ao encerramento de obrigações pós-emprego do plano de saúde: efeito positivo de R$ 1,2 bilhão no EBITDA e R$ 788 milhões no lucro. Expurgado isso, o EBITDA recorrente ficou em R$ 1,8 bilhão (-6% a/a) e o lucro ajustado em R$ 1,0 bilhão (-12% a/a). É um resultado razoável, não um resultado forte.

RS Dividendos, edição 129, de 27 de março de 2026.

Um assinante escreveu melhor do que eu, em julho:

"Putz, isso, SIM, é um relatório para ESTUDAR e não apenas ler!"

M. M. — assinante desde setembro de 2024

É esse o acordo. Eu escrevo como se você fosse ler. Você lê.

Se essa parte não te interessa, o resto desta página também não vai interessar, e é melhor descobrir isso agora do que em sete dias.

Quem sou eu para dizer isso

Sou analista certificado CNPI e estou no mercado desde 2007. Isso prova que eu sobrevivi, o que já é alguma coisa e não deveria bastar para ninguém.

Declaro minha posição pessoal em toda empresa sobre a qual escrevo, em toda edição. Na Copasa, quando recomendei vender, eu vendi.

E quando erro, o que acontece, a tese que muda vira texto com data explicando o que eu não tinha visto. O caminho fácil seria a recomendação sumir da tabela sem que ninguém explique, que é o que costuma acontecer.

Não há corretora patrocinando isto, não há produto de terceiro na prateleira, não há banco do outro lado da mesa.

Quem paga o trabalho é o assinante.

Assinar o RS Dividendos, sem banco no meio

Para quem é, e para quem não é

Escrevo pensando em três pessoas:

"...mais um relatório direto ao ponto, com muita objetividade, demonstrando a parte 'ruim' e a parte 'boa', nos colocando a refletir, estudar mais e tomar a decisão."

A. B. — assinante desde janeiro de 2022

O contrário também vale, e prefiro dizer antes de você pagar:

Por favor: se o que você busca não é o que eu ofereço, não assine. Economize o seu dinheiro e o meu tempo. Nós dois sabemos que você não vai ficar.

O preço institui uma coisa que o grátis não institui: um compromisso que vale para os dois lados. Eu me obrigo a escrever. Você se obriga a ler.

A assinatura

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ou R$ 264 à vista · economia de 19%

Renovação automática a cada 12 meses, até você cancelar.

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Garantia

Sete dias. Dentro de sete dias contados da confirmação da compra, você pede o dinheiro de volta sem precisar dar motivo. Devolução integral. Sem perguntas.

"Objetivo, direto e claro, sem tentar convencer ninguém."

G. F. — assinante desde agosto de 2024

Perguntas frequentes

Preciso de quanto para começar?

Dá para seguir as recomendações com valor irrisório. Mas a brincadeira só fica séria com dinheiro de verdade, e para mim isso começa em uns dez mil reais. Abaixo disso é hobby, e hobby não precisa de análise quinzenal.

Preciso saber analisar empresa para aproveitar?

Não. Você precisa querer entender por que uma empresa está na carteira, o que é diferente de saber montar a conta sozinho. Se soubesse montar a conta sozinho, provavelmente não precisaria de mim.

Quanto eu coloco em cada empresa?

Isso não vem junto, e a razão está acima: depende de coisas suas que eu não tenho como saber. O que a assinatura entrega é o que comprar e até que preço.

Preciso comprar as doze empresas?

Não. A carteira é o conjunto que eu recomendo; o que você faz com ela é seu.

Com que frequência sai o relatório?

Quinzenal.

Quanto tempo leva cada edição?

Aproximadamente trinta minutos. Algumas edições são bem mais longas que a média e pedem mais tempo; quando isso acontece, é melhor ler em duas sentadas do que na diagonal.

Onde eu leio e como sou avisado?

Na área de assinantes, com aviso por e-mail a cada edição.

Como eu cancelo?

Pela própria Hotmart, em Minhas Compras. É autosserviço: você não precisa falar comigo nem com ninguém, e não tem tela de retenção tentando te convencer. Cancelar interrompe as cobranças seguintes e não devolve o período já pago, que é coisa diferente do direito de arrependimento dos sete dias acima. Se preferir que a gente faça por você, escreve para atendimento@schweitzer.com.br.

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