Em junho de 2023 comecei a recomendar as ações da Copasa, a companhia de saneamento de Minas Gerais, a R$ 20,46.
A tese tinha três pernas: um yield de uns 7%, a proteção de um negócio regulado, e uma privatização que parecia provável e não estava no calendário de ninguém. Foi a terceira que demorou.
Demorou até chegar à Assembleia Legislativa de Minas, onde o projeto que autorizava a desestatização só entrou em setembro de 2025 e passou depois de mais de nove horas de obstrução. Demorou no Tribunal de Contas do estado, que em abril de 2026 liberou as etapas preparatórias e proibiu o ato de venda antes de se pronunciar sobre o mérito. E demorou de novo em maio, quando o governo declarou que não havia prazo definido para a oferta.
Nenhuma dessas vezes mudou a empresa. Todas mudaram a data.
Enquanto isso o papel subia, e no segundo semestre de 2025 passou do preço-teto que eu tinha calculado para a empresa. Não vendi.
No começo de 2025, quando a Copasa ainda negociava abaixo desse teto, um assinante tinha me perguntado por que a recomendação era manter e não comprar. Respondi que não altero recomendação mecanicamente só porque o preço mudou. Vale nos dois sentidos, e foi por isso que passar do teto também não virou venda.
Passar do teto tira a compra de cima da mesa. A venda vem quando o preço fica muito acima do que a conta suporta, ou quando a empresa piora.
Nesse período começaram a chegar as mensagens: assinantes perguntando se não era hora de realizar o lucro, ou de eu simplesmente recomendar a venda, antes que o leilão trouxesse a ação de volta para a terra.
Não mudei a recomendação.
Em 22 de maio de 2026 eu recomendei vender, a R$ 52,29. A privatização ainda não tinha acontecido: ela saiu em 16 de junho, com a Equatorial entrando como acionista de referência com cerca de 30% do capital.
Vendi antes do evento que eu tinha passado três anos esperando, e não foi por desconfiar dele. Foi porque ele já tinha acontecido no preço.
Uma opcionalidade que se realiza deixa de ser opcionalidade: a perna que me fez entrar tinha acabado, o yield esperado tinha caído para 3,9%, e o que restava era uma empresa boa negociando bem acima do que eu calculava que ela valia.
Do custo da posição, já descontados os dividendos pagos no caminho, a saída fechou em 247,2%. O preço de entrada foi R$ 20,46; os proventos derrubaram esse custo para R$ 15,06; a saída saiu a R$ 52,29.
No mesmo período, comprando no mesmo dia, o bitcoin subiu 206,7% em reais. Quarenta pontos percentuais de diferença, para uma empresa que trata água e esgoto e nunca prometeu nada a ninguém.
O que essa história não é
Não é um caso de acerto. Acerto todo mundo tem, inclusive por sorte, e quem só mostra o acerto está escondendo a média.
Em julho o papel bateu R$ 67, e em agosto ainda estava por volta de R$ 60.
Quem ficou depois que eu saí ganhou mais do que eu.
Isso vai acontecer de novo, e é o preço de ter um critério: ele te tira da festa antes do fim.
É um caso de critério. A recomendação de 2023 valeu alguma coisa porque existia um número atrás dela, e porque esse número não se moveu quando o calendário se moveu, nem quando o preço subiu, nem quando assinantes com boa intenção sugeriram que talvez fosse hora.
Sem esse número, cada notícia vira uma decisão nova. Com ele, a pergunta é sempre a mesma quando a notícia chega: isto muda a empresa, ou muda só a data?
Três vezes seguidas, mudou só a data. Na quarta, mudou a tese: a privatização deixou de ser possibilidade e virou fato, e com ela foi embora a perna que me fez entrar.
Não foi uma posição
A Copasa foi um caso, e um caso não prova nada além de si mesmo.
São doze recomendações em aberto no RS Dividendos. Até o fechamento de 31 de julho de 2026:
| Ação | Setor | Na carteira desde | Resultado |
|---|---|---|---|
| A | Energia | out/2025 | 25,7% |
| B | Financeiro | jan/2022 | 44,3% |
| C | Commodities | set/2022 | 45,0% |
| D | Energia | jan/2022 | 53,6% |
| E | Energia | jan/2022 | 68,7% |
| F | Energia | jul/2023 | 71,8% |
| G | Telecom | jan/2022 | 84,5% |
| H | Financeiro | jan/2022 | 104,1% |
| I | Financeiro | jan/2022 | 112,1% |
| J | Telecom | ago/2022 | 121,6% |
| K | Holding | jan/2022 | 158,8% |
| L | Financeiro | jan/2022 | 230,1% |
A ação A é do setor de energia elétrica e é a mais recente da carteira: entrou em outubro de 2025, há nove meses. A B é um banco, e está desde janeiro de 2022, cinquenta e quatro meses até a data do corte.
Oito das doze estão na carteira desde janeiro de 2022. Defender investimento de longo prazo trocando de carteira todo mês é chamar o assinante de otário.
O melhor resultado da carteira é de uma seguradora, que eu recomendo desde janeiro de 2022.
E as demais são da mesma estirpe: negócios testados pelo tempo, que fazem a mesma coisa há décadas e distribuem o que sobra. Uma chatice, em resumo. Se você está procurando emoção, não será aqui que vai encontrar. Meu mandato aqui é entregar análise de qualidade e profundidade que respeitam a sua inteligência.
Retornos acumulados até 31/07/2026, calculados sobre o custo de cada posição já descontados os proventos recebidos no período — a mesma conta dos 247,2% acima. São posições em carteira, marcadas a mercado naquela data, e o valor muda a cada pregão.
O que você recebe
Um relatório quinzenal sobre uma carteira de doze empresas brasileiras que pagam dividendos.
Em cada edição:
- o que mudou desde a última, com nome e número;
- a recomendação de cada posição, que é comprar, manter ou vender, sem meio-termo decorativo;
- e o preço-teto de cada uma, que é o valor acima do qual eu deixo de recomendar a compra.
O preço-teto é o instrumento mais útil da assinatura e o mais mal-entendido. Ele é o ponto em que a conta que eu fiz deixa de fechar.
Quem o lê como previsão se decepciona duas vezes: ele se mexe quando a empresa se mexe, e não sai do lugar quando o mercado se anima.
- Junto vem o arquivo inteiro, mais de cento e trinta edições. É onde está o histórico das teses, inclusive a parte dele que eu preferiria que não estivesse.
- E um canal de dúvidas dentro da área de assinantes, onde quem responde sou eu.
Sobre o tamanho dos relatórios, que é a reclamação mais provável
Eles são longos. Não por descuido de edição.
Na edição de primeiro de agosto eu gastei setecentas palavras num balanço que era bom. A receita melhorou, a margem melhorou, e o caixa não acompanhou nenhum dos dois.
A conclusão foi que eu não mexeria em nada. Nem no preço-teto, nem na recomendação.
Quem abriu procurando a linha da tabela encontrou o mesmo de quinze dias antes e fechou o arquivo. Quem leu descobriu por que continuava igual, que era a única informação útil naquele dia.
Este é outro balanço, de outra edição, quatro meses antes. A conclusão foi diferente, e ela começa assim:
CMIG: Bom resultado, mas não aquele
Altero minha recomendação para Cemig (CMIG4) . O 4T25 foi generoso com quem não leu além da primeira linha. Para quem leu, a história é outra.
O headline é uma armadilha. Lucro reportado de R$ 1,9 bilhão (+88% a/a), EBITDA de R$ 3,0 bilhões (+54% a/a). Números que fizeram as ações subirem no dia seguinte à divulgação. O problema é que boa parte desse resultado vem de um acordo homologado pelo TRT referente ao encerramento de obrigações pós-emprego do plano de saúde: efeito positivo de R$ 1,2 bilhão no EBITDA e R$ 788 milhões no lucro. Expurgado isso, o EBITDA recorrente ficou em R$ 1,8 bilhão (-6% a/a) e o lucro ajustado em R$ 1,0 bilhão (-12% a/a). É um resultado razoável, não um resultado forte.
Um assinante escreveu melhor do que eu, em julho:
"Putz, isso, SIM, é um relatório para ESTUDAR e não apenas ler!"
É esse o acordo. Eu escrevo como se você fosse ler. Você lê.
Se essa parte não te interessa, o resto desta página também não vai interessar, e é melhor descobrir isso agora do que em sete dias.
Quem sou eu para dizer isso
Sou analista certificado CNPI e estou no mercado desde 2007. Isso prova que eu sobrevivi, o que já é alguma coisa e não deveria bastar para ninguém.
Declaro minha posição pessoal em toda empresa sobre a qual escrevo, em toda edição. Na Copasa, quando recomendei vender, eu vendi.
E quando erro, o que acontece, a tese que muda vira texto com data explicando o que eu não tinha visto. O caminho fácil seria a recomendação sumir da tabela sem que ninguém explique, que é o que costuma acontecer.
Não há corretora patrocinando isto, não há produto de terceiro na prateleira, não há banco do outro lado da mesa.
Quem paga o trabalho é o assinante.
Para quem é, e para quem não é
Escrevo pensando em três pessoas:
- Quem já tem dinheiro investido e não sabe dizer por que está em cada coisa. O motivo é o que eu vendo.
- Quem quer poder discordar de mim com fundamento. Para discordar de uma recomendação é preciso ter visto a conta, e é por isso que ela vai junto.
- Quem prefere um texto longo de quinze em quinze dias a um alerta curto todo dia. O relatório sai nesse ritmo porque é o tempo que leva para haver o que dizer.
"...mais um relatório direto ao ponto, com muita objetividade, demonstrando a parte 'ruim' e a parte 'boa', nos colocando a refletir, estudar mais e tomar a decisão."
O contrário também vale, e prefiro dizer antes de você pagar:
- Quem quer que alguém decida no lugar dele.
- Quem procura a próxima ação que sobe trinta por cento em sessenta dias. Não é o que eu faço, e as empresas desta carteira são notoriamente entediantes.
- Quem não tem tempo de ler e acha que dá para pular direto para o final. Dá, e não vai adiantar nada.
Por favor: se o que você busca não é o que eu ofereço, não assine. Economize o seu dinheiro e o meu tempo. Nós dois sabemos que você não vai ficar.
O preço institui uma coisa que o grátis não institui: um compromisso que vale para os dois lados. Eu me obrigo a escrever. Você se obriga a ler.
A assinatura
12× de R$ 27,30
total de R$ 327,60
ou R$ 264 à vista · economia de 19%
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Garantia
Sete dias. Dentro de sete dias contados da confirmação da compra, você pede o dinheiro de volta sem precisar dar motivo. Devolução integral. Sem perguntas.
"Objetivo, direto e claro, sem tentar convencer ninguém."
Perguntas frequentes
Preciso de quanto para começar?
Dá para seguir as recomendações com valor irrisório. Mas a brincadeira só fica séria com dinheiro de verdade, e para mim isso começa em uns dez mil reais. Abaixo disso é hobby, e hobby não precisa de análise quinzenal.
Preciso saber analisar empresa para aproveitar?
Não. Você precisa querer entender por que uma empresa está na carteira, o que é diferente de saber montar a conta sozinho. Se soubesse montar a conta sozinho, provavelmente não precisaria de mim.
Quanto eu coloco em cada empresa?
Isso não vem junto, e a razão está acima: depende de coisas suas que eu não tenho como saber. O que a assinatura entrega é o que comprar e até que preço.
Preciso comprar as doze empresas?
Não. A carteira é o conjunto que eu recomendo; o que você faz com ela é seu.
Com que frequência sai o relatório?
Quinzenal.
Quanto tempo leva cada edição?
Aproximadamente trinta minutos. Algumas edições são bem mais longas que a média e pedem mais tempo; quando isso acontece, é melhor ler em duas sentadas do que na diagonal.
Onde eu leio e como sou avisado?
Na área de assinantes, com aviso por e-mail a cada edição.
Como eu cancelo?
Pela própria Hotmart, em Minhas Compras. É autosserviço: você não precisa falar comigo nem com ninguém, e não tem tela de retenção tentando te convencer. Cancelar interrompe as cobranças seguintes e não devolve o período já pago, que é coisa diferente do direito de arrependimento dos sete dias acima. Se preferir que a gente faça por você, escreve para atendimento@schweitzer.com.br.