O seu fundo imobiliário
pode não ter imóvel nenhum.

Fundo de papel é crédito privado com outro nome. O risco é de inadimplência, não de vacância, e não existe ativo para valorizar com o tempo. Os doze fundos que eu recomendo são de tijolo, e essa não é uma preferência estética.

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Você abre o extrato e vê o rendimento na conta. O extrato não diz de onde veio.

Se o fundo é de tijolo, veio de aluguel. Alguém ocupa um galpão, uma laje, uma loja, e paga por isso todo mês. Quando o contrato reajusta, o rendimento sobe. Quando o imóvel se valoriza, a cota tende a acompanhar, porque existe uma coisa física do outro lado.

Se o fundo é de papel, veio de juros. O fundo emprestou dinheiro a uma incorporadora, a um shopping, a um loteador, e recebe as parcelas. Enquanto o devedor paga, o rendimento cai na conta igualzinho ao do tijolo, e é por isso que a distinção some no extrato.

A diferença aparece em dois lugares.

O primeiro é o risco. No tijolo, o que pode dar errado é imobiliário: o inquilino sai, a região decai, o contrato não reajusta como se esperava.

No papel, o que pode dar errado é de crédito: o devedor não paga. É outro tipo de análise, outro tipo de garantia, outro tipo de desfecho. Quem comprou pensando em imóvel raramente sabe que assinou embaixo disso.

O segundo é o retorno, e esse é o que quase ninguém diz em voz alta.

No papel não existe ativo para valorizar.

Existe um contrato de dívida que vale mais ou menos conforme a curva de juros se mexe. Se a taxa cai, a cota sobe; se a taxa sobe, a cota cai. Fora disso, a cota fica onde está, porque não há nada crescendo do outro lado.

No tijolo existe um imóvel, e imóvel bom em lugar bom faz o seu trabalho ao longo dos anos.

Eu não recomendo fundo de papel. É outra coisa, com outro risco, e não é o que eu quero na minha carteira nem no que eu escrevo.

A diferença não aparece no extrato. Aparece no que acontece quando o devedor atrasa.

Como olhar a sua carteira hoje à noite

Você não precisa de mim para fazer isso, e é meio ponto do meu argumento.

Pegue a lista dos fundos que você tem e abra o último relatório gerencial de cada um. Procure o que o fundo carrega no ativo.

Se aparecem endereços, metragem, contratos de locação e nome de inquilino, é tijolo. Se aparecem séries de CRI, devedores, taxas e vencimentos, é papel. Alguns carregam os dois, e aí o relatório informa a proporção.

Depois olhe o rendimento dos últimos doze meses e pergunte uma coisa só: isso é aluguel recebido ou é juro de dívida?

Se for juro de dívida, o rendimento alto que te atraiu é o preço do risco de crédito que você está correndo, e não um sinal de que o ativo é bom. Rendimento alto em fundo de papel costuma significar que o mercado está pedindo mais para emprestar àquele devedor. É informação sobre o risco, não sobre a qualidade.

Faça isso, e você vai saber, na sua própria carteira, se o que você comprou é o que você pensou que estava comprando.

Os doze, com os dois que estão no vermelho

Antes da tabela, o que ela é e o que ela não é.

Esta é a carteira atual do RS Fundos Imobiliários: as doze posições que estão abertas hoje, em 21 de agosto de 2026. Cada linha traz o tipo de imóvel que o fundo carrega, a data em que a recomendação começou e o retorno desde então, já com os proventos considerados.

Duas das doze estão negativas. Elas ficam.

FundoTipo de imóvelNa carteira desdeResultado
ALajes corporativasagosto de 2023−20,9%
BIndustrialmaio de 2025−7,0%
CLogísticaagosto de 2025+5,6%
DLajes corporativassetembro de 2024+6,6%
ERenda urbanasetembro de 2025+10,5%
FRenda urbanaagosto de 2023+14,3%
GLogísticanovembro de 2024+14,8%
HLogísticajulho de 2024+16,9%
IShoppingsdezembro de 2023+17,1%
JShoppingsjulho de 2024+22,8%
KLajes corporativasagosto de 2023+23,6%
LLogísticaagosto de 2023+25,1%

Em todas as doze, a coluna do meio diz um tipo de imóvel. Nenhuma podia dizer "CRI", e é esse o ponto desta página.

Nenhum desses números diz o que vem pela frente. Dizem o que aconteceu, que é uma coisa diferente e menos útil do que o mercado costuma sugerir.

Retornos acumulados até 21 de agosto de 2026, calculados sobre o custo de cada posição já descontados os proventos recebidos no período, posições em carteira marcadas a mercado.

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O que chega, e com que frequência

De onde vem o seu dividendo

A pergunta que quase ninguém faz. O rendimento que caiu na sua conta veio de aluguel recebido, de reserva acumulada de meses anteriores, ou da venda de um imóvel? Pense num orçamento doméstico: entrou salário, você sacou da poupança, ou vendeu o carro? As três coisas engordam a conta corrente exatamente da mesma forma, e só uma delas se repete no mês seguinte.

Por que isso decide durabilidade. Aluguel recebido se repete enquanto o inquilino ficar. Reserva acumulada acaba, e o gráfico de reserva por cota mostra a que velocidade. Venda de imóvel acontece uma vez. Um yield de 20% que vem de ganho de capital não descreve a renda do fundo: descreve a devolução parcelada de um capital que já era seu.

RS Fundos Imobiliários, edição 76, de 8 de agosto de 2026.

Um assinante escreveu, em janeiro de 2024:

"...mostra o compromisso de educar para criar independência de análise ao assinante."

A. L. — assinante desde dezembro de 2023

Por que eu comecei a escrever sobre fundos imobiliários

Eu tinha fundos imobiliários muito antes de escrever sobre eles. Assinava o trabalho de outra pessoa, pagava por isso e estava satisfeito.

Um dia o produto foi descontinuado. Da noite para o dia, sem aviso que servisse de alguma coisa, e eu fiquei com uma carteira montada sobre um trabalho que deixou de existir.

Foi aí que eu comecei a fazer sozinho o que vinha comprando pronto. O RS Fundos Imobiliários é isso, e por isso ele tem a forma que tem: é o trabalho que eu faço para a minha própria carteira, escrito.

Isso explica algumas coisas que costumam estranhar. A profundidade que ninguém pediu, e que eu faria de qualquer jeito.

O fato de a carteira quase não girar, porque carteira de patrimônio não gira para provar movimento.

E a razão de eu não ter fundo de papel: não é uma decisão editorial, é o que eu escolhi para o meu dinheiro, e eu não recomendaria a você o que eu não compro.

Sou analista CNPI. Não tenho vínculo com corretora, banco ou gestora, não recebo comissão por indicação, e declaro a minha posição a cada edição.

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Para quem é, e para quem não é

Escrevo pensando em três pessoas:

"Não sabia do escopo da carteira antes de assinar, mas o meu portfólio já era exclusivamente tijolo."

S. K. — assinante desde março de 2026

O contrário também vale, e prefiro dizer antes de você pagar:

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Dentro de sete dias contados da confirmação da compra, você pede o dinheiro de volta sem precisar dar motivo. Devolução integral. Sem perguntas.

O pedido é pela própria Hotmart, em Minhas Compras. É autosserviço: você não precisa falar comigo nem com ninguém, e não tem tela de retenção tentando te convencer.

Cancelar a renovação é coisa diferente. Interrompe as cobranças seguintes e não devolve o período já pago, que não se confunde com o direito de arrependimento dos sete dias acima.

Se preferir que o atendimento faça por você, escreve para atendimento@schweitzer.com.br.

"Sempre com conteúdo objetivo e direto, somado a uma didática excepcional."

L. B. — assinante desde agosto de 2023

Perguntas frequentes

Quantos fundos tem na carteira?

Doze hoje. O número varia pouco, porque eu troco pouco.

Por que não tem fundo de papel?

Porque é crédito privado, e crédito privado é outra análise, outro risco e outro tipo de retorno. Está explicado no começo desta página, e volta com frequência nos relatórios.

Com que frequência sai relatório?

A cada quinze dias, na quinta-feira. Fora isso, sempre que um fato relevante exigir.

Quanto tempo leva para ler uma edição?

Aproximadamente trinta minutos. Algumas edições são bem mais longas que a média e pedem mais tempo; quando isso acontece, é melhor ler em duas sentadas do que na diagonal.

Preciso saber alguma coisa antes de começar?

Precisa saber o que é uma cota e ter uma conta em corretora. O resto vai sendo construído edição a edição, que é o ponto.

Quanto eu preciso ter investido para valer a pena?

Não existe mínimo para comprar cota. Pensando na sua experiência, a assinatura começa a fazer sentido econômico a partir de algo em torno de dez mil reais na estratégia.

Onde eu acesso?

Área de membros própria. Login e senha chegam por e-mail assim que a assinatura é confirmada.

Os fundos que você recomenda são os que você tem?

São. Declaro a minha posição em cada edição.